Cortes na ciência dos EUA ameaçam clima e segurança

Cortes de Trump e Musk na ciência
Cortes de Trump e Musk na ciência – Foto: Reprodução

A ciência nos Estados Unidos vive um momento crítico com cortes de Trump e Musk na ciência. O governo de Donald Trump, com apoio do bilionário Elon Musk, anunciou cortes drásticos em agências essenciais para o monitoramento climático e segurança ambiental do país. A medida, justificada então como parte de um plano para reduzir US$ 1 trilhão em gastos públicos, já levou à demissão de milhares de funcionários e ao fechamento de departamentos estratégicos.

Redução drástica nas agências científicas

Além disso, o primeiro passo dessa política foi dado em fevereiro, quando Trump assinou uma ordem executiva ao lado de Musk, nomeado chefe do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). O decreto determinava que todas as agências federais apresentassem planos para cortar custos e reduzir sua força de trabalho. Coube ao departamento comandado por Musk decidir quais funções seriam eliminadas e quem seria demitido.

Na NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), uma das agências mais afetadas, cerca de mil funcionários — quase 10% da força de trabalho — perderam seus postos. A NOAA é referência global em monitoramento do clima, previsão do tempo e alerta para desastres naturais como furacões e tsunamis. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional alertam que os cortes comprometem seriamente a capacidade dos EUA de prever e reagir a eventos extremos.

A situação é especialmente preocupante após a temporada recorde de furacões de 2024 e o pior incêndio já registrado em Los Angeles no início deste ano. Ambos os desastres então foram acompanhados de perto pela NOAA, que agora opera com equipe reduzida.

Nasa e EPA também sofrem cortes

Nem mesmo a Nasa ficou de fora dos cortes. Cerca de 20 funcionários foram demitidos, e o Escritório de Ciência, Política, Estratégia e Diversidade foi encerrado. Apesar das declarações públicas de Trump sobre planos para levar a bandeira americana a Marte, as demissões podem comprometer pesquisas estratégicas da agência espacial.

Além disso, outro alvo iminente é a Agência de Proteção Ambiental (EPA), fundamental para pesquisas sobre qualidade da água, mudanças climáticas e regulamentação ambiental. A EPA apresentou um plano para cortar 65% de seu orçamento, incluindo a dissolução do Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento, o maior departamento da agência, resultando na demissão de mais de mil pesquisadores.

Além disso, o novo diretor da EPA, Lee Zeldin — indicado por Trump — revogou recentemente 31 regulamentações ambientais, incluindo normas voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa, gerando preocupação entre cientistas e parlamentares democratas.

“Apagão de dados” e conflito de interesses

Além disso, pesquisadores alertam para um verdadeiro “apagão de dados” no país. Andy Hazelton, especialista em furacões recém-demitido da NOAA, afirmou em sua rede social que a falta de profissionais afeta diretamente o monitoramento dos oceanos e do clima. Isso pode prejudicar desde a agricultura até a navegação, já que empresas dependem das informações fornecidas pela agência.

Outro ponto polêmico é a influência crescente de Elon Musk. Mesmo ocupando cargo no governo, ele segue à frente da SpaceX, gigante do setor aeroespacial. Funcionários demitidos ouvidos pelo sugerem que os cortes podem abrir espaço para Musk aumentar seu controle sobre áreas estratégicas, criando um potencial conflito de interesses.

Justiça tenta barrar demissões

As demissões em massa não passaram despercebidas pelo Judiciário. Dois juízes federais determinaram que o governo Trump recontrate milhares de trabalhadores dispensados, alegando, dessa forma, que o processo foi realizado de forma ilegal. O governo já apelou das decisões, enquanto mais de vinte estados entraram com ações contra a medida.

✅ Receba as notícias do PanoramaPE no seu WhatsApp

Por ora, os funcionários desligados aguardam, em uma espécie de licença, enquanto o impasse jurídico se arrasta. Especialistas então da oposição alertam que a crise coloca em risco os esforços globais no combate às mudanças climáticas.

#Compartilhe clicando em uma das opções abaixo
Raphael Ribeiro
Raphael Ribeiro
Artigos: 323

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *