
Fenômeno La Niña intensifica estiagem, e previsão é de chuvas abaixo da média até junho; abastecimento é reforçado em Caruaru. A seca no estado de Pernambuco tem se agravado nos últimos meses. Até a última sexta-feira (28), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu a situação de emergência em 79 municípios. Somente nesta semana, mais seis cidades foram incluídas na lista: Jatobá, Petrolina, Carnaubeira da Penha, Pesqueira, Santa Cruz e Santa Filomena.
Situação de emergência em 79 municípios

Com o reconhecimento, as prefeituras passam a ter acesso a recursos federais por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Assim, é possível solicitar apoio para ações de defesa civil. Os planos de trabalho enviados são analisados pela Defesa Civil Nacional, que avalia metas e valores solicitados. Após a aprovação, uma portaria é publicada no Diário Oficial com o valor a ser liberado.
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Para obter o reconhecimento da situação de emergência, os municípios precisam seguir um processo detalhado. Isso inclui a decretação da emergência, o envio de informações sobre o desastre, os danos causados, as áreas atingidas, a população impactada e as medidas já adotadas.
Portanto, o cenário em Pernambuco é preocupante. Além disso, em dezembro de 2024, 94 cidades haviam decretado emergência por falta de chuvas. Em março de 2025, esse número subiu para 118, conforme decreto estadual. Além disso, a previsão climática para o trimestre entre abril e junho aponta chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média histórica em todas as regiões do estado, segundo dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).
Fenômeno La Niña
Essas condições são influenciadas pelo fenômeno La Niña, que resfria as águas superficiais do Oceano Pacífico. Como consequência, há alterações na circulação atmosférica que favorecem períodos de seca mais severos.
No entanto, diante desse cenário, o Governo de Pernambuco tem adotado medidas emergenciais. A Compesa e a Apac intensificaram o monitoramento de reservatórios e mananciais. Além disso, prestam assistência direta às populações afetadas.
Todavia, uma das ações em destaque é a mudança no abastecimento de água em Caruaru, que passa a receber 600 litros por segundo do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, por meio da Adutora do Agreste. A medida busca reduzir a dependência da Barragem de Jucazinho, que opera em pré-colapso, com apenas 3,8% da capacidade.
Com o novo arranjo, o abastecimento de Caruaru, cidade com cerca de 400 mil habitantes, será mais estável. Enquanto isso, a água remanescente do reservatório de Jucazinho será direcionada às outras 13 cidades atendidas pelo sistema.